Achei que karma era como uma promoção “Peque agora e pague daqui a 3 vidas”. Ledo engano. Venho cometendo o pecado da hipocrisia, repetida e voluntariamente, desde que me entendo por gente. Esse karma eu pago à vista nesse purgatório paralelo.
A hipocrisia [do Latin hyposrisis e Grego hypokrisis que significam ação de desempenhar um papel] é o ato de fingir que se tenha qualidades, ideias ou sentimentos que na realidade não se possui.
Eu que tanto neguei meus sentimentos, a mim mesma e aos outros, escondida sob a máscara de nobreza e racionalidade, fui buscar amores impossíveis, extraterrenos. E como Midas, transformei tudo na frieza da razão. Ah, se minha sensatez me permitisse uma ilusãozinha sequer!
Agora vejo minhas vãs filosofias, teorias e ironias refletidas no espelho. Agora sou o oposto do que eu disse antes. Nem o sarcasmo e o cinismo, meus grandes amigos, disfarçam o que eu finjo não ser: humana. Ninguém me disse que doía perder os superpoderes.
Mas se assim é, que assim seja. Vou colorir meu sorriso de amarelo e seguir.
Sou grata pelo evento que causou essa reflexão. É dor de crescimento. Vou pra frente porque eu sou hipócrita, mas também valente, e não tenho nem tempo nem talento pra lamentação.